O que é meditação, quais as diferentes técnicas e benefícios?

A meditação tem sido praticada há séculos e de diversas formas em vários países não ocidentais. Sua diversidade deu origem a uma variedade de definições, formas e técnicas. Como resultado, não há uma definição única para meditação, embora seu objetivo geral seja treinar a mente para atingir um objetivo específico.

No Brasil, a meditação entrou como uma prática integrativa e complementar a integrar o grupo de terapêuticas oferecidas pelo sistema único de saúde. O Naturólogo e muitos psicólogos e outros terapeutas têm formação em técnicas de meditação e muitos a utilizam em seus procedimentos terapêuticos. 

Mas como definir a meditação? E que meditação é essa que pode ser usada de maneira terapêutica?

Para responder a essas perguntas, podemos utilizar a pesquisa realizada por Deborah R. Simkin e Nancy B. Black em seu artigo Meditation and Mindfulness in Clinical Practice, de 2014, que divide as diferentes técnicas meditativas terapêuticas encontradas na literatura em 5 categorias: 

Atenção focada e atenção plena

Monitoramento aberto

Meditação transcendental

Mente-corpo

Corpo-mente

Atenção focada e atenção plena

As técnicas meditativas de atenção focada têm raízes no Zen, Vipassana e outras tradições de meditação budista tibetana. A atenção focada usa objetos explícitos para prestar e sustentar a atenção, de modo que a mente não divague. Já na atenção plena, a técnica prevê que se permaneça consciente momento a momento de qualquer pensamento ou sentimento que ocorra na experiência pessoal, sem focar em um objeto explícito, como na atenção focada. 

As adaptações clínicas ocidentais dessas técnicas são projetadas para sanar estados mentais patológicos, como ansiedade. Na prática clínica de atenção plena, ou mindfulness, o objetivo é clinicamente orientado. Seu principal objetivo é aliviar os sintomas físicos e psicológicos indesejáveis, como dor, ansiedade e depressão, por meio da aceitação e observação do momento presente.

Monitoramento aberto

As técnicas meditativas de monitoramento aberto também têm raízes no Zen e Vipassana e tratam-se do próximo passo depois que a habilidade de focar a atenção é estabilizada. Durante o monitoramento aberto, o objetivo do praticante é permanecer apenas no estado de manutenção da atenção, momento a momento, a tudo o que ocorre na experiência, sem focar em nenhum objeto explícito. A pessoa monitora quaisquer experiências que surjam (pensamentos, sentimentos e assim por diante). Este monitoramento ocorre de uma forma não julgadora para que a pessoa possa se desidentificar com experiências, ser não reativo e obter maior consciência sobre si.

O objetivo de praticar meditação de monitoramento aberto é o de aumentar a consciência sobre os pensamentos e sensações sem respostas automáticas. Os praticantes descrevem a experiência de “consciência impensada” ou “silêncio mental” como um aumento de consciência e autocontrole.

Meditação transcendental 

A autotranscendência automática é comumente conhecida como meditação transcendental. Essa técnica tem suas raízes na Índia Védica ou de origem chinesa, e é conhecida na era moderna como tendo sido desenvolvida por Maharishi Mahesh Yogi. Cada sessão envolve uma profunda sensação de relaxamento do corpo com uma diminuição da atividade mental durante a sessão. O termo “automático” indica que o indivíduo não está tentando controlar a atividade mental. Em contraste com a atenção focada, que requer concentração, e com o monitoramento aberto, que, adicionalmente, requer estar ciente das experiências sem reatividade, a meditação transcendental não envolve foco, controle ou uma consciência das experiências, mas tenta-se deixar a atividade mental diminuir. A meditação transcendental envolve o uso regular de um exercício de relaxamento para atingir um estado físico e psicológico de calma. Durante o exercício de relaxamento, o participante repete um mantra, que é usado para bloquear pensamentos distratores.

Mente-corpo

Alguns métodos e técnicas mente-corpo parecem fazer uma ponte entre os métodos de atenção focada e monitoramento aberto e, em alguns casos, os métodos de meditação transcendental também; eles também podem incluir componentes de relaxamento, como relaxamento muscular progressivo, a meditação com respiração profunda, que usada para neutralizar as respostas de luta / fuga / medo e é útil para acalmar a ansiedade e aumentar a receptividade ao ambiente de sala de aula em crianças, por exemplo, ou uma combinação de postura, respiração, atenção e visualização. 

Corpo-mente

As práticas corpo-mente são uma evolução das tradições budistas, chinesas e indianas (védicas e modernas). Na literatura, existem técnicas centradas no corpo com as correspondentes técnicas mentais, produzindo efeitos focalizantes, fisiológicos e calmantes. A dançaterapia ou terapia do movimento é uma intervenção mais recente e não tem raízes nessas tradições. Muitos das técnicas centradas no corpo podem se sobrepor às categorias atenção focada, monitoramento aberto e meditação transcendental por causa da similaridade de métodos ​​de instrução e implementação; eles podem incorporar movimento sequências como em Tai Chi e Qi Gong (que têm origens chinesas), ou em posturas, como na ioga (de origem indiana védica).

Alguns tipos de prática corpo-mente:

1. Exercícios em geral

2. Movimento ou terapia de dança

3. Qi Gong

4. Tai Chi 

5. Yoga

Nesse sentido, podemos definir a meditação como uma prática única de presença e desidentificação com os conteúdos emocionais e pensamentos que surgem constantemente. São várias técnicas de meditação e objetivos do praticante. Em resumo, podemos dizer que a meditação nos permite conduzir a mente, de maneira leve e equânime, para um estado de calma e paz através de métodos que envolvem postura e focalização da atenção, repetições de exercícios ou sons (como mantras), trazendo diversos benefícios como redução do estresse, ansiedade, insônia, além de auxílio para a melhorar o foco e autoconhecimento.

Independente do caminho que se busca para atingir o estado meditativo, pode-se afirmar com certeza: é um caminho de mergulho em si, de auto-observação constante, profunda e paciente, de prática da compaixão e da não reatividade. Por meio da meditação, praticamos a presença genuína e estamos conscientes da nossa identidade.

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