Essa é uma queixa bastante comum no dia a dia do médico do sono.

A pessoa que sofre de sonolência excessiva diurna pode ser injustamente rotulada como preguiçosa, desastrada, antissocial, esquisita, desatenta, entre outros. E além disse tem sua qualidade de vida diretamente impactada pelo excesso de sono diurno.

A investigação para chegar ao diagnóstico pode ser ampla. Deve considerar o indivíduo como um todo. Inicialmente podemos avaliar 5 grupos de principais causas. (Veja a tabela abaixo)

Situação bem comum é ocorre quando um paciente nos procura referindo estar sonolento durante o dia. Ao investigarmos um pouco sobre sua vida, ele diz que trabalha até tarde e precisa madrugar para retornar ao trabalho. Por vezes, trabalha e faz faculdade à noite. Ele chega para o atendimento desesperado pois está privado de sono (dorme menos do que deveria) há muito tempo e não sabe o que poderia fazer. Esses casos não possuem nenhuma solução mágica e o nome disso é síndrome do sono insuficiente. Podemos tentar ajustar alguma coisa na rotina do paciente, mas não há substituto medicamentoso para um sono de boa qualidade.

Saber suspeitar e diagnosticar um quadro de depressão é essencial. Pois a depressão pode estar ligada a muitos problemas de sono e nem sempre o paciente, a família e o próprio médico podem suspeitar de cara. O paciente com depressão pode dormir muito ou pouco, mas problemas de sono são tão frequentes que até estão listados nos critérios para se fazer o diagnóstico da depressão.

A apnéia do sono é uma doença do sono muito frequente na população. Prejudica a qualidade do sono noturno e tem potencial de gerar outros  problemas de saúde, em especial os cardiovasculares e endocrinológicos. A sonolência diurna é bastante comum e pode ser uma pista para pesquisar e tratar essa doença.

A síndrome das pernas inquietas é outra doença comum e que pode gerar muito desconforto para quem tem. São sensações desagradáveis que amenizam com movimento e tendem a ocorrer ou piorar a noite. Isso pode gerar um problema para a pessoa pegar no sono.

Os distúrbios do ritmo do sono ocorrem quando o “relógio biológico interno” esta desajustado com o horário do local que a pessoa vive. Esse desencontro faz com que a pessoa queira dormir em horários não convencionais.  E assim, ela vive dormindo menos do que deveria por isso. Por exemplo, alguém que o relógio interno acredita ser 23 horas, mas na realidade são 3 horas da manhã. Será só nesse horário a pessoa terá sono, daí dormirá mais tarde.  Nesses casos, a pessoa não consegue se ajustar sozinha.

As hipersonias de origem central: narcolepsia 1 e 2, hipersonia idiopática e a síndrome de Kleine Levin são as doenças que causam sonolência excessiva diurna por problemas nos circuitos cerebrais relacionados ao sono. São raras e tem critérios diagnósticos específicos. Precisam de exames para realizarmos o diagnóstico corretamente e podem prejudicar muito a qualidade de vida de um indivíduo. Nesses casos, o sono é tão insuportável que eles geralmente não conseguem lutar contra ele, podem dormir conversando com alguém ou mesmo no trânsito, podem passar muitas horas por dia dormindo ou passar períodos dormindo e viver normalmente em outros. O tratamento pode mudar totalmente as perspectivas de futuro dessa pessoa.

Com relação as doenças clínicas, a sonolência excessiva diurna é mais uma importante oportunidade de observarmos que qualquer médico precisa entender o corpo humano como um todo e saber diagnosticar suas disfunções. Não adianta saber tudo sobre o sono e tentar tratar um paciente com um hipotireoidismo com remédios para manter o paciente acordado, como usamos na narcolepsia. Com o tempo, o hipotireoidismo pode se agravar e o médico terá perdido a oportunidade de diagnosticar e encaminhar para um colega que saiba lidar melhor com essa doença. Infecções, deficiência de nutrientes como o ferro e vitaminas, como a B12 por exemplo, entre tantas outras causas possíveis precisam ser devidamente investigadas com anamnese, exame clínico e laboratorial adequados.

São muitos os fármacos que podem ter a sonolência como efeito desejado ou colateral. Alguns dos mais comuns são: os benzodiazepínicos, alguns antidepressivos, antipsicóticos em geral e antialérgicos.

Se você ou alguém da sua família sente sono excessivo durante o dia, e quer melhorar essa questão, procure um médico do sono.

Tabela 1. Diagnósticos possíveis frente a um paciente com sonolência excessiva diurna.

DiagnósticosCaracterísticas chave
Síndrome do sono insuficienteA pessoa que dorme menos do que deveria, geralmente por motivos sociais como trabalho ou diversão. Se ela puder dormir a quantidade necessária para ela, a sonolência passa
Transtornos psiquiátricosDepressão (pode causar sonolência diurna diretamente ou insônia)
Doenças do sonoApneia do sono
Síndrome das pernas inquietas
Distúrbios do sono
Hipersonias
Doenças sistêmicasAlguns exemplos:
Hipotireoidismo
Infecções
Deficiência de ferro ou vitaminas
MedicaçõesBenzodiazepínicos
Antidepressivos com efeito sedativo
Antipssicóticos
Antialérgicos

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