DEFICIÊNCIA DE VITAMINA D ou HIPOVITAMINOSE D

Devido a mudanças no estilo de vida, que levam à menor exposição ao sol, a deficiência de vitamina D é uma condição altamente prevalente e constitui um problema de saúde pública em todo o mundo.

Aproximadamente, um terço da população mundial apresenta níveis de 25(OH) menores do que 20 ng/ml, que não são os ideais para manter uma boa saúde óssea.

No Brasil, mesmo sendo um país ensolarado de clima tropical (com pouca variação sazonal e luz solar suficiente) a deficiência de vitamina D também é prevalente.

Estudos encontraram concentrações inadequadas em 42% da população idosa residente na cidade de São Paulo. Já em adolescentes e adultos jovens a prevalência foi de 60% e 50%, respectivamente.

Fontes de Vitamina D

Alimentos ricos em vitamina D são escassos, resumindo-se a alguns produtos fortificados artificialmente, por isso a maior fonte para os seres humanos é a produção endógena decorrente da exposição cutânea à luz solar.

Isso mesmo, a maior fonte de vitamina D é produzida através da nossa pele quando exposta a luz do sol. Portanto, indivíduos com baixa exposição aos raios solares são mais sujeitos a apresentar deficiência de vitamina D.

Sintomas da deficiência de Vitamina D

Os sintomas e sinais de deficiência de vitamina D grave no organismo são:

• Diminuição da quantidade de cálcio e fósforo no sangue

• Dor e fraqueza muscular

• Enfraquecimento dos ossos

• Osteoporose nos idoso

• Raquitismo nas crianças

É muito raro, hoje em dia, ocorrer uma deficiência de vitamina D grave e com os sinais e sintomas acima. Entretanto a ocorrência de hipovitaminose D subclínica (com poucos ou nenhum sintoma) ocorre com frequência, podendo a longo prazo associar-se a osteoporose, maior risco de quedas e possivelmente de fraturas.

Fatores de risco para a hipovitaminose D

• Baixa exposição ao sol / estilo de vida indoor (privação de sol)

• Uso de protetores solares

• Idade avançada

• Morar em países com maior distância do Equador

• Pele negra

• Poluição do ar

• Tabagismo

• Má-absorção alimentar (síndromes disabsortivas)

• Medicamentos (anticonvulsivantes, glicocorticóides)

• Doença renal e no fígado

Deficiência de Vitamina D e outras doenças

A vitamina D é essencial para manter o equilíbrio do cálcio e otimizar a saúde óssea. Inicialmente, ela havia sido relacionada apenas com alterações no sistema músculo-esquelético levando à perda óssea, osteopenia, osteoporose, fraqueza muscular, risco de quedas e fraturas.

Nos últimos anos, porém pesquisadores têm associado níveis séricos inadequados de vitamina D com diversas doenças não relacionadas com o sistema músculo-esquelético, tais como:

  • Doenças metabólicas: Diabetes tipo 2, resistência à insulina, Hiperlipidemia (colesterol alto), Síndrome metabólica, Obesidade, Esteatose hepática não alcoólica
  • Doença vascular periférica
  • Doenças cardiovasculares: Hipertensão, Doença arterial coronariana, Insuficiência cardíaca, Infarto do miocárdio, Acidente vascular cerebral
  • Doenças auto-imunes: como artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico, diabetes mellitus tipo 1, doença inflamatória do intestino e esclerose múltipla.
  • Aumento dos marcadores inflamatórios
  • Câncer (cólon, pulmão e mama)
  • Psiquiátricas: Depressão
  • Maior risco de doenças na gestação: abortamento habitual, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, parto prematuro, depressão pós-parto, ossificação fetal prejudicada, crescimento fetal restrito, hipocalcemia neonatal e diabetes gestacional.

DIAGNÓSTICO

Para avaliar as reservas individuais de vitamina D, preconiza-se a dosagem da 25(OH)D, esta é a principal forma circulante da vitamina D, com uma meia- vida de 2 a 3 semanas, e o melhor indicador para monitorar o estado da vitamina D.

Valores de vitamina D

  • Suficiência de vitamina D: valores acima de 30 ng/ml.
  • Insuficiência de vitamina D: valores entre 20 e 30 ng/ml
  • Deficiência de vitamina D: valores inferiores a 20 ng/ml

SUPLEMENTAÇÃO DE VITAMINA D

Em casos nos quais se detecte deficiência ou insuficiência é necessária a suplementação de vitamina D assim como o acompanhamento das dosagens de vitamina D, cálcio e fósforo durante o tratamento.

A suplementação de vitamina D pode diminuir a perda óssea e aumentar sua densidade mineral. Vários estudos mostraram diminuição significativa na incidência de fraturas e quedas.

De forma geral, o mais indicado é que o paciente mantenha uma rotina saudável e tenha o hábito de exposição adequada à luz solar. Além disso, realizar o exame de vitamina D para avaliar se há necessidade de suplementação.

E você? Sabe como estão os níveis da sua vitamina D?

REFERÊNCIAS

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  • JORGE, Antonio José Lagoeiro et al. Deficiência da Vitamina D e doenças cardiovasculares. International Journal of Cardiovascular Sciences, v. 31, n. 4, p. 422-432, 2018.
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  • BORDALO, Lívia A.; MOURÃO, Denise Machado; BRESSAN, Josefina. Deficiências nutricionais após cirurgia bariátrica por que ocorrem?. 2011.
  • SEARLEMAN, Eric. Exame de 25-hidroxivitamina D. (Artigo), 2012. Disponível em: . .Acesso em: 06 set. 2015.
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  • KRATZ, Daniela Barbosa; SILVA, Giancarlos Soares; TENFEN, Adrielli. Deficiência de vitamina D (250H) e seu impacto na qualidade de vida: uma revisão de literatura. RBAC, v. 50, n. 2, p. 118-23, 2018.
  • FEBRASGO – A importância da Vitamina D na Saúde da Mulher
  • SCHMITT, Eneida Maria Boteon. Associação entre a deficiência de vitamina D e os marcadores da síndrome metabólica em mulheres na pós-menopausa. 2017.

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