Com certeza você já vivenciou aquele momento em que a criança não quer comer brócolis ou outro vegetal, não é mesmo? Criar hábitos alimentares envolve fatores muito além do simples fato de a criança gostar ou não do alimento.

Atualmente temos a indústria alimentícia para facilitar a nossa vida. E na correria do dia a dia muitas famílias optam por utilizar produtos prontos na sua rotina. E eles não são necessariamente saudáveis.

Essa situação é ainda agravada pelo marketing direcionado ao público infantil. O apelo é forte! Quer um exemplo? Repare como existem diversas opções de bolachas recheadas e salgadinhos com personagens de desenhos animados e com embalagens cada vez mais atrativas para as crianças. Até a posição deles nas gondolas é estratégica. Ficam na altura dos olhos dos pequenos consumidores.

Você já viu alguma indústria de alimentos fazendo propaganda de legumes ou vegetais “in natura” para incentivar as crianças a comerem melhor? Mas, o contrário existe. Exaltam a presença de produtos considerados saudáveis na composição de seus industrializados. Porém, eles jamais terão a mesma qualidade nutricional. Na maioria das vezes estão processados e acrescidos de açúcares, gorduras e condimentos hiperpalatáveis que “viciam” o paladar das crianças. Daí vem um ciclo extremamente negativo. Situação observada pelo alarmante crescimento da obesidade infantil.

Agora, você pode estar pensando: “Mas os produtos prontos facilitam minha vida, preciso deles. Como vou mudar a indústria?” A partir do momento que, nós consumidores, começamos a deixar claro que os produtos não estão como queremos, eles mudam. Então, seja persistente!

Voltando a falar dos hábitos alimentares na infância, vamos lembrar de como eles são formados?

Em outro texto falamos sobre a importância de uma gestação com alimentação saudável. O paladar da criança é influenciado desde a gravidez, pois o feto consegue sentir sabores. Ou seja, já vai conhecendo alguns deles de forma sutil. Situação que ocorre também no aleitamento materno. O leite também tem pequenas variações de sabor, conforme a alimentação da mãe.

A fase de introdução alimentar é extremamente importante. Deve ser variada e com alimentos in natura e/ou minimamente processados.  

São nos dois primeiros anos de vida que ocorre a maior parte do aprendizado alimentar, e quando se desenvolvem as preferências alimentares. Por isso cultivar bons hábitos desde o início é tão importante.

Mas se os maus hábitos alimentares já se instalaram é preciso corrigir! Mas como fazer?

Separei algumas DICAS que você pode seguir e assim incentivar seu filho a comer melhor.

  • Não pressione a criança.

Fazer imposições para que a criança coma legumes ou  verduras, pode gerar uma associação negativa com aquela comida. Então não force seu filho a comer nenhum alimento, respeite o tempo dele. Passe um tempo sem oferecer e depois volte a inseri-lo nas refeições ou lanches.

  • Respeite os sinais de fome e saciedade.

A insegurança em saber se a criança está ingerindo a quantidade necessária de nutrientes pode causar apreensão na família. Por vezes a criança simplesmente não está com fome. É preciso deixá-las aprender os sinais do seu corpo quanto a necessidade ou não de comer. Então, controle suas expectativas. Coloque no prato pequenas porções e se necessário acrescente mais. Não o obrigue a “raspar o prato”

  • Ofereça uma grande variedade de alimentos

Um cardápio variado aumenta a exposição da criança a diferentes sabores, texturas, cheiros e cores. Preferências alimentares são inevitáveis. Todos temos. E quanto maior a exposição a alimentos saudáveis maior a chance desses alimentos fazerem parte da rotina alimentar da criança. Evite ao máximo as “junk foods”.

  • Não faça barganhas

Não utilize alimentos como prêmios de mérito ou consolação. Exemplo: “se você fizer sua tarefa até tal horário pode tomar sorvete” … ou … “você está triste com o que aconteceu então vamos comer um chocolate”.

Também evite tentar compensar a “falta” de uma refeição com qualquer outra coisa. Se a criança não quis almoçar não dê uma mamadeira para compensar.

  • Fácil acesso aos alimentos saudáveis

Em casa, disponibilizar alimentos saudáveis em fácil acesso para as crianças desenvolve, inclusive, autonomia. Deixe frutas e legumes já higienizados na fruteira ou cortadas nas prateleiras baixas da geladeira. Quando sair de casa, leve lanches fáceis de carregar e armazenar, como frutas e castanhas. Será bem melhor do que ter que se virar na rua.

  • Faça as refeições em família 

Preparar a mesa, sentar-se todos e ter um ambiente tranquilo na hora da refeição é essencial. Inserir as crianças e mesmo os bebês nesse contexto está relacionado com o desenvolvimento de hábitos mais saudáveis, além de proporcionar memórias afetivas incríveis para seu filho. Faça desse um momento de tranquilidade e alegria. Evite deixar as crianças comerem em frente à TV, tablets ou celulares. A criança precisa ter atenção ao que está fazendo. Estar presente no momento presente. Aproveitem para conversar.

  • Seja o exemplo!

Crianças aprendem por meio da observação e para criar bons hábitos é da mesma forma. O que isso significa? Que vocês, como país, têm um papel fundamental nesse processo de formação dos hábitos. Ou seja, as crianças tendem a ter hábitos mais saudáveis quando veêm os pais ou responsáveis a comerem frutas e vegetais. Criar um ambiente agradável para seu filho comer e mostrar bons exemplos ajuda as crianças a terem preferências alimentares mais benéficas para a saúde o que causa impactos para toda a vida. 

Podemos perceber que para criar os bons hábitos alimentares para as crianças é preciso ter bons hábitos na família. A rotina dda casa tem influência direta na construção das preferências alimentares. O caminho pode não ser fácil, mas é totalmente possível. Não se pressione. Vá mudando aos poucos. Mas siga firme no propósito. Os benefícios a curto, médio e longo prazo farão o esforço valer a pena.

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