Atualmente, cerca de 387 milhões de pessoas vivem com diabetes no mundo, mas quase metade (179 milhões) ainda não foi diagnosticada. Como os sintomas muitas vezes demoram a se manifestar o diabetes é considerado uma “doença silenciosa”.

A diabetes, conhecida cientificamente como diabetes mellitus, é uma doença metabólica crônica caracterizada pelo aumento dos níveis de açúcar (glicose) no sangue, o que pode provocar danos em vários órgãos, se não for tratado.

Para entendermos sobre a Diabetes precisamos compreender a ação da Insulina.

A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas, que envia um sinal para  “desbloquear” a entrada da glicose nas células. Assim a glicose passa da corrente sanguínea para o interior das células. No interior das células, a glicose é armazenada ou transformada em energia.

No diabetes a insulina não é produzida ou não funciona corretamente, com isso o açúcar vai acumulando no sangue ao invés de entrar nas células, levando ao que chamamos de hiperglicemia.

Principais tipos de diabetes

Diabetes tipo 1

É uma doença autoimune em que o próprio sistema imunológico ataca as células do pâncreas responsáveis por produzir a insulina. Assim, a insulina não é produzida, a glicose não é transportada para dentro das células e acaba se acumulando no sangue. O diabetes tipo 1 ocorre em cerca de 5 a 10% dos pacientes com diabetes.

Diabetes tipo 2

É o tipo mais comum e acontece devido a uma resistência à ação da insulina que surge ao longo da vida. A resistência insulínica é causada por maus hábitos alimentares, especialmente o consumo excessivo de alimentos açucarados, industrializados, falta de exercício físico e obesidade.

Essa resistência insulínica diminui a ação da insulina no corpo e faz com que a glicose se acumule no sangue.

O diabetes tipo 2 ocorre em cerca de 90% dos pacientes com diabetes.

No passado recente, o diabetes tipo 2 estava principalmente associado a pessoas na faixa dos 45 anos ou mais velhas. Entretanto, nas últimas décadas, a doença têm se manifestado cada vez mais em jovens abaixo dos 30 anos, inclusive em crianças e adolescentes. O aparecimento do diabetes nesses grupos está relacionado ao aumento dos índices de obesidade e à falta de atividades físicas regulares, somados ao histórico familiar.

Diabetes gestacional

A diabetes gestacional ocorre devido aos hormônios que são produzidos pela placenta durante a gravidez. Esses hormônios parecem bloquear parcialmente a ação da insulina, fazendo com que seja mais fácil aumentar os níveis de açúcar no sangue durante a gestação.

Existe pré-diabetes?

Sim, existe! O pré-diabetes é quando o paciente tem potencial para desenvolver a doença, como se fosse um estado intermediário entre o saudável e o diabetes tipo 2. Neste caso utilizamos apenas a mudança de estilo de vida com alimentação e atividade física para que o paciente não desenvolva o diabetes.

O termo pré-diabetes é usado quando os níveis de glicose no sangue estão mais altos do que o normal, mas não o suficiente para um diagnóstico de Diabetes Tipo 2, ou seja, glicemia de jejum entre 100 e 125. É importante destacar que 50% dos pacientes nesse estágio ‘pré’ vão desenvolver a doença.

Sintomas de diabetes

A diabetes é uma doença silenciosa, porém quando está descompensada, com níveis muito altos de glicose no sangue (hiperglicemia) pode apresentar sintomas como:

  • Sensação de sede exagerada;
  • Aumento da fome;
  • Vontade frequente para urinar;
  • Boca seca;
  • Emagrecimento;
  • Fraqueza;
  • Cansaço fácil;
  • Alterações da visão;
  • Náusea / vômito;

Diagnóstico de diabetes

O diagnóstico da diabetes pode ser feito com exames de sangue que permitem avaliar a quantidade de glicose no sangue. O mais usado é o teste da glicemia de jejum. Este teste mede a quantidade de glicose no sangue após um período de jejum de, pelo menos, 8 horas, sendo os valores de referência:

  • Normal: inferior a 99 mg/dL;
  • Pré-diabetes: entre 100 a 125 mg/dL;
  • Diabetes: acima de 126 mg/dL.

É necessário valores alterados em ao menos 2 dosagens em dias diferentes. Porém, o médico também pode pedir outros exames, como hemoglobina glicada ou o teste de tolerância à glicose (TOTG).

A Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda como critério de diagnóstico de diabetes as seguintes condições:

  • Glicemia de jejum maior ou igual a 126 mg/dl em pelo menos duas amostras em dias diferentes.
  • Hemoglobina glicada maior que 6,5% confirmada em outra ocasião (dois testes alterados).
  • Sintomas de hiperglicemia associada a glicemia fora do jejum maior que 200 mg/dl.
  • Glicemia maior que 200 mg/dl duas horas após ingestão de 75g de glicose.

Tratamento da Diabetes

O tratamento da diabetes tem como principais objetivos controlar o nível de glicose no sangue, para melhorar a qualidade de vida, aliviando os sintomas, e evitar o desenvolvimento de complicações mais graves.

O tratamento consiste em alterações no estilo de vida, principalmente na alimentação saudável e na prática de exercício físico.

Exercícios físicos regulares ajudam a baixar as taxas de glicemia. Quando você gasta energia, o organismo usa o açúcar do sangue em velocidade maior, portanto caminhadas e percursos de bicicleta podem ser ótimas opções. Meia hora de atividade moderada, três vezes por semana, já é uma boa meta.

Para os diabéticos fumantes, a melhor opção é parar de fumar. Este hábito acelera todos os problemas associados ao diabetes, porque diminui o fluxo sanguíneo e a oxigenação das células.

Em alguns casos apenas as mudanças de estilo de vida podem ser suficientes, já em outros pode ser necessária a introdução de medicamentos como antidiabéticos orais ou insulina. O tratamento pode variar um pouco de acordo com o tipo da diabetes:

  • Diabetes tipo 1:  a insulina não é produzida pelo pâncreas, por isso o tratamento é com o uso diário de insulina injetável. Além da insulina, também é recomendado manter um controle na ingestão de açúcar e carboidratos, assim como adotar um estilo de vida ativo, com a prática regular de exercício físico.
  • Diabetes tipo 2: caso as mudanças de estilo de vida não controlem a glicemia, se faz necessário o uso de remédios. O médico pode receitar o antidiabéticos orais (comprimidos) ou insulina injetável.
  • Diabetes gestacional: o tratamento é feito essencialmente com alterações na dieta e prática regular de exercício físico, pois são medidas naturais que permitem controlar os níveis de glicemia no sangue. Porém, caso as alterações no estilo de vida não estejam sendo suficientes para controlar os níveis de açúcar, o médico pode introduzir a insulina.

Complicações da Diabetes

As consequências do excesso de açúcar no sangue podem demorar a aparecer, mas elas estão acontecendo silenciosamente. E ao longo do tempo, esse acúmulo pode danificar órgãos e vasos sanguíneos, causando doenças cardíacas, renais e até amputações.

  • CEREBRO – maior chance de doenças cardiovasculares como o derrame cerebral (AVC);
  • CORAÇÃO maior chance de doenças cardiovasculares como o infarto agudo do miocário (ataque cardíaco;
  • NERVOS – Neuropatia diabética;
  • OLHOS – Retinopatia diabética;
  • RINS – Nefropatia diabética
  • Maior risco de infecção;
  • Dificuldade na cicatrização de feridas;
  • Pé-diabético;

Alimentação vegetariana e Diabetes

A dieta vegetariana proporciona benefícios importantes para a prevenção e para o tratamento do diabetes mellitus. Estudos demonstraram que vegetarianos apresentam redução de risco de desenvolver diabetes tipo 2 quando comparados a indivíduos em dieta não vegetariana.

Os vegetarianos apresentaram, aproximadamente, a metade do risco de desenvolver o diabetes e os veganos apresentaram apenas um terço da ocorrência de diabetes observada em indivíduos não vegetarianos.

Além disso ensaios clínicos com dieta vegana em paciente que já eram diabéticos do tipo 2 demonstraram melhora importante no controle glicêmico, no perfil lipídico e na redução da necessidade de medicamentos.

Uma dieta vegetariana equilibrada, além de proporcionar uma oferta nutricional adequada, também promove saúde e previne inúmeras doenças crônicas responsáveis por perda de qualidade de vida e por diminuição da expectativa de vida.

REFERÊNCIAS

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