DOENÇAS CARDIOVASCULARES

O termo doença cardiovascular (DCV) engloba as seguintes condições: infarto agudo do miocárdio (IAM ou infarto ou ataque cardíaco), insuficiência cardíaca (IC) e o acidente vascular cerebral (AVC).

As doenças cardiovasculares representam, desde os anos 60, a principal causa de mortalidade no mundo e no Brasil correspondendo a um terço do total de óbitos.

As doenças cardiovasculares matam uma pessoa a cada 90 segundos no Brasil, quase o dobro do que o coronavírus matou no mundo em 2020.

Mais de 1.100 mortes por dia

Cerca de 46 mortes por hora

As doenças cardiovasculares causam:

2x mais mortes que todos os cânceres juntos

2,3x mais mortes do que todas as causas externas (acidentes e violência)

3x mais mortes que as doenças respiratórias

6,5x mais mortes do que todas as doenças infecciosas (incluindo AIDS)

A Sociedade Brasileira de Cardiologia estima que, ao final deste ano, quase 400 mil cidadãos brasileiros morrerão por doenças do coração e da circulação. Muitas dessas mortes poderiam ser evitadas ou postergadas com cuidados preventivos e medidas terapêuticas. O alerta, a prevenção e o tratamento adequado dos fatores de risco e das doenças cardiovasculares podem reverter essa situação tão grave.

FATORES DE RISCO PARA DOENÇAS CARDIOVASCULARES

Sabe-se que o controle dos fatores de risco é responsável por pelo menos 50% na redução da mortalidade por DCV.

Os principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares são:

  • Síndrome metabólica
  • Tabagismo
  • Diabetes
  • Colesterol alto
  • Hipertensão
  • Sedentarismo
  • Excesso de peso
  • Álcool
  • Estresse

Entre 20 à 25% dos adultos no mundo têm síndrome metabólica (SM). Esta síndrome é definida quando o indivíduo possui obesidade central e mais 2 dos quatro fatores abaixo:

  • Triglicérides ≥ 150 mg/dl
  • HDL-colesterol < 40 mg/dl
  • Pressão arterial sistólica ≥ 130 mmHg ou pressão arterial diastólica ≥ 85 mmHg ou hipertensão já em tratamento
  • Glicemia de jejum ≥ 100 mg/dl ou diabetes tipo 2 diagnosticada previamente

A síndrome metabólica causa um risco 2x maior de sofrer um infarto do coração e 3x maior de sofrer um acidente vascular encefálico.

Diversos destes fatores de risco poderiam ser controlados ou até evitados a partir de uma dieta e estilo de vida mais saudável.

ALIMENTAÇÃO

Mais de 90% dos ataques cardíacos podem ser evitados com mudança de estilo de vida. Pesquisadores do mundo todo têm se voltado cada vez mais para a possível relação da alimentação com as doenças cardiovasculares.

Comer é um ato de prazer para muitas pessoas. Mas será que este prazer vale a pena quando se coloca em risco a saúde? Como imediatistas valorizamos mais o prazer instantâneo de um doce do que o bem-estar de trocá-lo por uma fruta.

Existem evidências sobre a importância da alimentação como fator de risco (ou proteção) para doenças cardiovasculares. Vários alimentos e nutrientes têm sido relacionados à ocorrência de doenças crônicas em diferentes populações, destacando-se o consumo excessivo de colesterol, gorduras saturadas e excesso de sal. Isso somado ao baixo consumo de fibras favorece as dislipidemias, obesidade, diabetes e hipertensão e aumenta a ocorrência de infarto do coração e AVC.

Em contrapartida, observamos que a incidência de doenças cardiovasculares é menor em países com uma alimentação predominantemente rica em frutas, hortaliças e grãos integrais.

ALIMENTAÇÃO VEGETARIANA

Hoje em dia cresce o número de pessoas que fazem uma alimentação vegetariana (sem nenhum tipo de carne), havendo evidência de que esse hábito seja associado a uma menor prevalência dos fatores de risco para doenças cardiovasculares.

Diversos estudos demonstram valores mais baixos de índice de massa corporal (IMC), circunferência abdominal, pressão arterial, colesterol, triglicérides e glicemia em indivíduos com alimentação vegetariana comparados a indivíduos com alimentação onívora (que consomem carnes).

Uma alimentação saudável contribui também para a proteção contra as doenças crônicas não-transmissíveis (DCNT) e potencialmente fatais, como diabetes, hipertensão, acidente vascular cerebral, doenças cardíacas e alguns tipos de câncer.

Indivíduos vegetarianos tendem a consumir menores quantidades de gordura total, gordura saturada e colesterol, e maiores quantidades de gordura insaturada, fitoquímicos e fibras dietéticas do que indivíduos onívoros. Além disso, indivíduos onívoros tendem a ingerir significativamente maiores quantidades de proteína, gordura total, gordura saturada e monoinsaturada.

A mudança de hábitos alimentares se trata de uma interferência do estilo de vida que pode melhorar de forma significativa os fatores de risco das doenças cardiovasculares. Muitas vezes é necessário trocarmos uma porção de prazer instantâneo por uma porção de bem-estar duradouro.

A literatura indica que a dieta vegetariana parece ter papel protetor vascular.

BENEFÍCIOS DA ALIMENTAÇÃO VEGETARIANA SAUDÁVEL

  • Redução dos níveis de pressão arterial
  • Redução dos níveis de glicemia
  • Redução dos níveis de lipídeos sanguíneos, principalmente LDL (colesterol ruim) e triglicérides
  • Melhora dos índices de colesterol bom (HDL)
  • Menor risco cardiovascular
  • Melhora do trânsito intestinal
  • Menor desenvolvimento de doenças como obesidade, diabete, hiperlipidemia, hipertensão, doença arterial crônica e alguns tipos de câncer.

Recomendações da Socidedade Brasileira de Cardiologia

  • Adote uma dieta rica em verduras, legumes, grãos e frutas. Uma alimentação rica em fibras ajuda a reduzir o colesterol
  • Evite o excesso de sal
  • Alimentos e temperos preparados em casa são mais saudáveis.
  • Combine uma alimentação equilibrada à prática regular atividades físicas.
  • Caminhadas diárias de 30 minutos são uma boa opção para começar.
  • Faça exercícios regularmente, pelo menos 3 vezes por semana.
  • Faça pelo menos 150 minutos de exercícios por semana.
  • Evite o estresse
  • Controle a hipertensão, o colesterol e o diabetes e viva mais e melhor.

Referências

  1. TEIXEIRA, Rita de Cássia Moreira de Almeida et al. Risco cardiovascular em vegetarianos e onívoros: um estudo comparativo. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 89, n. 4, p. 237-244, 2007.
  2. DE BIASE, Simone Grigoletto et al. Dieta vegetariana e níveis de colesterol e triglicérides. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 88, n. 1, p. 35-39, 2007.
  3. NAVARRO, Julio Cesar Acosta et al. Prevalência de Síndrome Metabólica e Escore de Risco de Framingham em Homens Vegetarianos e Onívoros Aparentemente Saudáveis. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 110, n. 5, p. 430-437, 2018.
  4. MANSUR, Antonio de Padua; FAVARATO, Desidério. Mortalidade por doenças cardiovasculares no Brasil e na região metropolitana de São Paulo: atualização 2011. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 99, n. 2, p. 755-761, 2012.
  5. POLANCZYK, Carisi Anne. Epidemiologia das Doenças Cardiovasculares no Brasil: A Verdade Escondida nos Números. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 115, n. 2, p. 161-162, 2020.
  6. OLIVEIRA, Gláucia Maria Moraes de et al. Estatística Cardiovascular–Brasil 2020. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 115, n. 3, p. 308-439, 2020.
  7. Site Sociedade Brasileira de Cardiologia
  8. MALTA, Deborah Carvalho et al. Mortalidade por Doenças Cardiovasculares Segundo o Sistema de Informação sobre Mortalidade e as Estimativas do Estudo Carga Global de Doenças no Brasil, 2000-2017. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, n. AHEAD, 2020.
  9. DA COSTA LAMARÃO, Renata; NAVARRO, Francisco. Aspectos nutricionais promotores e protetores das doenças cardiovasculares. RBONE-Revista Brasileira de Obesidade, Nutrição e Emagrecimento, v. 1, n. 4, 2007.
  10. PETRIBÚ, Marina de Moraes Vasconcelos; CABRAL, Poliana Coelho; ARRUDA, Ilma Kruze Grande de. Estado nutricional, consumo alimentar e risco cardiovascular: um estudo em universitários. Revista de Nutrição, v. 22, n. 6, p. 837-846, 2009.

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