Quando e como fazer a introdução alimentar dos bebês?

A introdução alimentar é uma fase que sempre gera dúvidas para os pais e cuidadores, podendo causar insegurança.

A primeira dúvida é sobre quando fazer a introdução alimentar. A recomendação é que bebês mantenham aleitamento materno exclusivo até o 6º mês de vida, e que se estenda até no mínimo 2 anos de idade. Na impossibilidade do aleitamento, a substituição deve ser feita apenas por fórmulas infantis.

A partir dos 6 meses de idade é o momento em que se avalia a introdução de outros alimentos na rotina do bebê. É importante respeitar esse período pois até lá a criança ainda está desenvolvendo estruturas anatômicas e fisiológicas para receber e digerir nutrientes vindos de outras fontes alimentares. Nesse momento são avaliados, inclusive, sinais de desenvolvimento neurológico para que o processo seja feito com segurança.

 A introdução alimentar precoce (antes dos 6 meses) aumenta a chance de problemas como alteração na função dos rins por sobrecarga de nutrientes, alergias alimentares, distúrbios da flora bacteriana intestinal (disbiose), doenças respiratórias, sobrepeso, obesidade, dentre outras.

Mas, atenção a introdução alimentar tardia também pode gerar consequências. O bebê “perde a fase” em que seu corpo está adaptado para desenvolver os reflexos de mastigação e deglutição. Isso pode dificultar a aceitação de alimentos, causar impactos nutricionais e consequentemente atrasos no crescimento e desenvolvimento.

É válido ressaltar que nesse texto estamos falando de bebês que nasceram no tempo certo de gestação e não tem problemas de saúde. Crianças prematuras ou que tenham alguma doença devem ser avaliadas com muito critério. A introdução alimentar pode ser diferente tanto no momento de iniciar, quanto na forma de iniciar. 

A fase da introdução alimentar é um período muitas descobertas para o bebê e ajuda no desenvolvimento dos 5 sentidos: visão, olfato, tato e paladar e até mesmo a audição. A introdução alimentar é um momento muito especial e pode definir o relacionamento da criança com a comida ao longo da vida.

Os alimentos entram de forma complementar e progressiva, a partir dos 6 meses para que a partir de 1 ano essa relação se inverta. Ou seja, após o primeiro ano o leite será complementar. A maior parte da nutrição da criança deverá vir dos alimentos e a dieta da criança já será igual a da família.

Cada bebê é único e tem seu ritmo. Uns comem bastante, uns médio e outros comem pouco. Saber reconhecer sinais de fome e saciedade das crianças ajuda muito nesse momento e diminui a angústia em saber se o bebê está comendo muito, pouco ou o suficiente para ele. Isso é o que chamamos de introdução alimentar responsiva.

Existem diferentes métodos para se apresentar os alimentos para o bebê:

  • Método tradicional: frutas raspadas ou amassadas, e papas “salgadas” de consistência mole oferecidos em colher. Conforme o bebê vai aceitando, evoluiu-se a consistência, deixando pedaços maiores, até atingir a apresentação original do alimento;
  • BLW, sigla para Baby-Led Weaning (em português, desmame guiado pelo bebê):  nesse método os alimentos são apresentados ao bebê em sua forma natural, em pedaços, tirinhas e fatias permitindo que o bebê segure e leve a boca os alimentos;
  • BLISS, sigla para Baby-Led Introduction to Solids (em português, introdução aos sólidos guiada pelo bebê): é a mescla dos dois métodos anteriores. Na prática, consiste em oferecer alguns alimentos com colher e outros em pedaços. 

Apesar dessa divisão de métodos, não é necessário rigidez em escolher e seguir uma delas. Elas podem se interpenetrar em diferentes fases ou dentro de um mesmo dia.  Cada bebê é único e as individualidades devem ser respeitadas.

O acompanhamento com uma nutricionista infantil, nessa fase dos 6 meses até 1 ano de idade é fundamental. Em conjunto com os pais, ajuda a definir qual o método mais apropriado e que se encaixa na rotina de cada família. Capacita os cuidadores a oferecer os alimentos de forma segura, nas diferentes fases de desenvolvimento da criança e de acordo com o método escolhido. Auxilia na elaboração de um cardápio nutricionalmente completo e variado, aumentando a exposição de diferentes tipos de alimentos e estimulando o paladar. Tudo isso, levando em consideração os hábitos alimentares e a realidade de cada família. É importante considerar se há histórico de alguma alergia alimentar na família e dar atenção a esses alimentos.

O ideal, inclusive, é que a família comece a se preparar para a introdução alimentar por volta do 5º mês de vida do bebê. Entender o processo faz com a família se planeje e alinhe as expectativas. Isso tornar o momento mais leve e prazeroso.

Algumas recomendações são universais, ou seja, cabem para qualquer criança. A partir de agora, já podemos oferecer água. Mas existem alimentos e/ou condimentos que devem ser evitados. Por exemplo, não oferecer sal até 1 ano e nem açúcar até dois anos de idade.

É importante que evite alimentos industrializados e processados. A base da alimentação deve ser comida mais natural possível, com grande variedade de verduras, legumes e frutas.

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