Essa é uma dúvida bem comum. Com que frequência levar a criança para consultas de rotina com pediatra? A resposta é: depende da idade da criança.

As consultas de pediatria, podem começar mesmo antes de a criança nascer. Você sabia que existe a consulta pediátrica pré-natal? Sim, existe! E temos um texto sobre ela no blog. Leia lá.

Mas vamos falar do momento após o parto e do decorrer da vida da criança.

O acompanhamento com consultas de rotina para as crianças é chamado de puericultura. Essa é a parte da pediatria que se ocupa em assegurar o desenvolvimento integral da criança, pois considera e avalia questões biológicas, físicas, psicológica e sociais da criança.

O pediatra que faz puericultura e a família da criança devem entendê-la como um indivíduo biopsicossocial único e relacionado ao meio ambiente.

As consultas de puericultura diferem de uma consulta por uma queixa específica. São habitualmente mais longas por contemplarem uma visão global do paciente. É na consulta de puericultura que o pediatra auxilia os pais na compreensão de questões que são normais durante cada fase e idade (mesmo que isso possa parecer um problema  pra família) e como passar por esses momentos.

O objetivo da puericultura é promover saúde e identificar agravos de qualquer natureza que possam interferir de forma negativa no potencial de desenvolvimento da criança como ser humano. Por essa razão há uma programação de periodicidade para esse acompanhamento, inclusive até a adolescência. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatra (SBP), a frequência ideal de acompanhamento com pediatra é a seguinte:

IdadeFrequência de consultas
Menor de 1 mês1 vez na primeira semana de vida 1 reavaliação com 15 dias de vida
1º até o 6º mes1 vez por mês
A partir de 7 meses aos 2 anos1 vez a cada 2 meses
A partir de 2 anos1 vez a cada 3 meses
A partir de 6 anos1 vez a cada 6 meses
Acima de 7 anos1 vez por ano

Fenômenos como crescimento e desenvolvimento são quantitativos e cessam na adolescência, porém o desenvolvimento qualitativo como capacidade de fazer coisas, evoluir e tornar-se independente são processos contínuos e progressivos.

A puericultura de crianças vegetarianas e não vegetarianas não diferem na forma, nem na frequência de avaliações. Individualizações para atender as demandas de cada paciente e da família é a tarefa do pediatra, independente se na dieta há consumo de produtos de origem animal ou não.

O que acontece com frequência no dia a dia é que a maioria das famílias segue direitinho o acompanhamento com pediatra até os 2 anos de idade. Dali em diante, se a criança está “indo bem”, acabam postergando e esquecendo das consultas de rotina. E qual o problema disso? Até os 5 anos as crianças estão em pleno crescimento físico e desenvolvimento neurológico. Elas têm um potencial enorme para desenvolverem diversas habilidades. Somente um acompanhamento regular poderá dizer se a criança está no ritmo esperado ou não, como por exemplo na progressão da linguagem, habilidades motoras, de comportamento, dentre outras. Após os 5 anos essa perda de seguimento é ainda mais frequente. Porém, o contexto global da criança ainda precisa ser avaliado. São nas consultas de rotina, que podem ser identificados distúrbios em que o tratamento precoce faz toda diferença, como déficit de crescimento e puberdade precoce, por exemplo. Percebe a importância do acompanhamento?

Ao final da consulta de puericultura o pediatra está apto a fazer os seguintes diagnósticos:

  1. Diagnóstico alimentar;
  2. Diagnóstico nutricional;
  3. Diagnóstico de desenvolvimento físico;
  4. Diagnóstico do desenvolvimento neuropsicomotor;
  5. Diagnóstico da imunização (vacinas);
  6. Diagnóstico do desenvolvimento da puberdade (quando oportuno);

Com os diagnósticos feitos existem dois caminhos: programar a nova consulta de rotina ou cuidar do que está inadequado. Atualizar vacinas, orientar ajustes alimentares, suplementações de vitaminas, solicitar exames laboratoriais e de imagem. Considerar a necessidade de encaminhamento para avaliação e seguimento de outras especialidades médicas infantis (neuro, endócrino, imunologista, etç) ou da área saúde (dentista, nutricionista, fonoaudióloga, fisioterapeuta, etç). 

A escolha do profissional que irá fazer o seguimento do seu filho é de extrema relevância. A puericultura tende a ser mais rica e produtiva quando o acompanhamento é feito pelo mesmo profissional na linha do tempo. Daí a importância de se estabelecer um vínculo de confiança entre pediatra e família para que possam cooperar mutuamente com o propósito maior do bem-estar total da criança. Assim desenvolveremos indivíduos adultos biologicamente, psicologicamente e socialmente mais saudáveis.

Quero reforçar que neste texto conversamos sobre situações de normalidade. Em caso doenças específicas, o intervalo de consultas será definido pelo pediatra que acompanha a criança e de acordo com a necessidade de cada momento.

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