Você sabe a importância do acompanhamento nutricional na gestação?

A gestação é um período de grandes transformações no corpo da mulher e por isso as necessidades nutricionais dela também mudam. O cuidado nutricional na gestação visa garantir tanto a saúde da mãe como a do bebê. Uma boa alimentação é fundamental para que o feto tenha sua formação, desenvolvimento e crescimento adequados. E garante que a mãe mantenha seu metabolismo e suas reservas nutricionais em dia.

É bastante comum as pessoas acharem que, por estar grávida, a mulher deve comer por dois. Sabemos que a necessidade de calorias aumenta, porém, esse adicional calórico se inicia a partir do 2º trimestre. No dia a dia, a adequação desse acréscimo de calorias acontece com muita tranquilidade. Basta aumentar um lanche no dia ou mesmo aumentar um pouco as porções de comida em cada refeição.

É importante lembrar que há uma grande diferença entre calorias e nutrientes. Você conhece o termo “calorias vazias”? Ele significa que o alimento tem calorias, porém essas calorias não têm quantidades suficientes de vitaminas ou minerais. Alguns exemplos clássicos são os refrigerantes, doces e salgadinhos industrializados. Então, é preciso tomar cuidado quando se pensa apenas em calorias.

Por outro lado, quando pensamos em nutrientes, que são substâncias necessárias ao bom funcionamento do corpo, esses sim precisam de um aumento de consumo durante a gravidez.

O bom aporte de nutrientes para a gestante é tão importante que algumas suplementações são recomendadas de forma protocolar pelas sociedades de obstetrícia do mundo todo. A recomendação ideal, é que se inicie o uso antes mesmo antes da mulher engravidar. Algumas vitaminas como ácido fólico e vitamina B12 estão diretamente relacionadas a formação do sistema nervoso do bebê, na fase inicial da gravidez.

Entretanto, o acompanhamento nutricional na gestação feito de forma individualizada permite adequar às necessidades de calorias e nutrientes nas diferentes fases da gravidez. Personalizar o cardápio e a suplementação favorece que não ajam carências nem excessos. Afinal, cada pessoa tem suas condições de saúde, metabolismo, rotinas e hábitos alimentares. A rotina de acompanhamento nutricional da gestante é com consultas trimestrais, de preferência no início do trimestre. Esse é o cronograma para uma gestação de baixo risco. Em casos especiais o intervalo entre as consultas poderá ser menor. A avaliação da gestante é feita de forma clínica (aquela conversa durante a consulta), exame físico e exames de laboratório.

O acompanhamento da gestante vegetariana não é diferente. Mulheres com esse regime alimentar devem ter atenção especial com vitamina B12 e fontes de ômega 3.

O ganho de peso deve ser controlado a cada trimestre. É amplamente documentado por trabalhos científicos que o ganho de peso em excesso pode levar a complicações na gravidez. Dentre elas:

  1. Diabetes gestacional
  2. Doença hipertensiva específica da gravidez (DHEG)
  3. Pré-eclâmpsia (DHEG + inchaço + excesso peso + perda proteína na urina)
  4. Eclâmpsia (pré-eclâmpsia + consulvão, podendo evoluir para coma).

Todas essas doenças podem impactar na saúde da mãe e do bebê. As chances de parto prematuro aumentam. O bebê que nasce antes da hora não está pronto. Frequentemente precisa de internação hospitalar prolongada e tem os riscos de doenças relacionadas à prematuridade. Então, o objetivo é evitar ao máximo essa situação.

Um fato muito interessante a ser considerado no acompanhamento nutricional da gestante é sobre o paladar do futuro bebê. Você sabia que as preferências alimentares da criança começam a ser formadas já na barriga? A alimentação da gestante leva a mudanças sutis no líquido amniótico, que o bebê começa a sentir como sabor a partir da 16ª semana de idade gestacional. A partir da 24ª semana as células responsáveis pelo olfato se desenvolvem e os bebês começam a sentir cheiros. Percebe como a gestação pode influenciar a fase de introdução alimentar da criança por volta de 6 meses?

A esta altura da nossa conversa, já está bem claro a importância sobre o equilíbrio e qualidade da alimentação da gestante. Mas vou te falar de um assunto relativamente novo, a epigenética. O sufixo “epi” quer dizer sobre, por cima. A epigenética estuda mudanças no funcionamento dos genes mediadas por fatores externos.

Muitas pesquisas já concluíram que existe um impacto direto entre a alimentação da gestante e fatores genéticos do feto. Isso significa que o que a mãe consome no período gestacional pode impactar nos genes de seus filhos, de forma boa ou ruim. Ou seja, a alimentação da gestante hoje pode proporcionar proteção ou riscos para seu filho a curto, médio e longo prazo, incluindo a vida adulta. Isso se refere a desenvolver ou não doenças crônicas não transmissíveis como diabetes, hipertensão, doenças respiratórias (asma, bronquite), dentre outras.

Assim, através do acompanhamento nutricional da gestante podemos influenciar direta e positivamente na saúde do binômio mãe-bebê. Antes, durante e após o parto.

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